1) Introdução
Com o advento da sociedade industrial, a máquina passou a desempenhar
um papel essencial em todos os ramos de actividade. Ela permite multiplicar
o esforço humano criando condições de maior produtividade
e, como consequência, riqueza e bem-estar.
No início da era industrial quando o trabalhador passou do uso da ferramenta
manual para o trabalho com a maquina, assistiu-se a um aumento progressivo do
número de acidentes.
Actualmente, a utilização das máquinas, mesmo sofisticadas,
é fonte de grande número de acidentes, provavelmente porque o
trabalhador, na maioria dos casos, não está alertado para os riscos
que corre, e consequentemente, não cumpre as regras de segurança
mínimas.
Torna-se assim necessário encontrar uma solução que permita conciliar
o avanço crescente do trabalho mecanizado com a meta final de redução
do número de acidentes de trabalho que aquele implica.
Entre as medidas adoptadas nos vários países destaca-se a tendência
para regulamentar e normalizar a concepção, a construção,
a utilização e a manutenção das máquinas,
existindo já regulamentação comunitária referente
a esta matéria.
Se é verdade que a concepção e construção
de máquinas dotadas de sistemas de segurança mais eficazes vai
potenciar uma redução de acidentes, não é
menos verdade que as máquinas, só por si, não causam problemas.
Toda a máquina para executar o seu trabalho, necessita ser posta em movimento.
    É da interacção
entre Homem e máquina que podem ocorrer acidentes de trabalho.
Conclui-se, deste modo, que aos trabalhadores que operam tom máquinas
deve ser dada informação sobre os perigos inerentes à sua
correcta utilização.
Os actuais sistemas de segurança de máquinas estão preparados
para funcionar quer em situação de utilização normal,
quer em situações de manutenção.
Por outro lado, quando as máquinas se encontram em funcionamento, existem
sistemas de segurança que actuam automaticamente em caso de emergência.,
mas outros dependem de activação pelo utilizador.
Por este facto, torna-se muito importante formar os trabalhadores na sua correcta
utilização, sob pena, de ineficácia de todo o sistema de
segurança.
2) Formação para Prevenir
Para além do aspecto acima referido, a formação deve servir
para corrigir comportamentos negativos que os trabalhadores por vezes adoptam,
justificando-os com a maior comodidade na execução de determinada
tarefa com a habituação, dos quais destacamos a remoção
de protectores de órgãos móveis das máquinas ou
de zonas de transmissão do movimento.
As situações abaixo descritas exemplificam alguns comportamentos
que importa corrigir através da formação.
A colocação dos resguardos nos "órgãos de máquinas" evita que o trabalhador
venha a ser arrastado para eles, quando, inadvertidamente,
por exemplo, as peças soltas do seu vestuário sejam apanhadas
por aqueles órgãos. O trabalhador não deve, por essa razão,
usar vestuário largo, gravata, cabelo solto, anéis, pulseiras,
quando no seu posto de trabalho.
Outro factor de risco está ligado à zona de operações,
ou seja, o local onde as ferramentas efectuam o seu trabalho. Esta zona, pela
sua perigosidade, tem de estar devidamente resguardada e inacessível
ao trabalhador.
Há situações em que o operador tem de acompanhar a peça
a trabalhar, o que normalmente faz incorrectamente com as mãos, por
lhe ser mais cómodo. Caso a caso, deve ser estudada a protecção
adequada, como por exemplo em certas máquinas de trabalhar madeira, nas
quais deve ser utilizado um empurrador ou punho, além dos protectores
para as ferramenta.
Não podemos esquecer as máquinas-ferramenta em que o trabalhador
tem de interferir no material que está a ser trabalhado, como as prensas
e os tornos, onde é grande e de graves consequências o risco de
ser envolvido pelas peças em movimento.
Para além das protecções que deverão ser colocadas
nestas peças - punção e bucha - impõe-se um método
de trabalho mais indicado.
Com outro tipo de máquinas o trabalhador limita-se a ligá-las
e acompanhar o seu movimento à distância, sendo o contacto com
a máquina apenas esporádico. Neste caso deve ser colocado um dispositivo
de paragem automático, sempre que se proceda a uma carga ou descarga,
ou à eventual verificação do processo de fabrico.
Vejam-se agora alguns aspectos de carácter geral e relacioná-los
com o trabalho com máquinas.
Estão neste caso os dispositivos de arranque e paragem, que devem satisfazer
as seguintes condições de segurança:
    ter acesso e manobras
fáceis;
    não permitir
o
arranque intempestivo das máquinas;
    permitir uma paragem
rápida em caso de acidente.
Embora não relacionados com a protecção de máquinas
existem outros factores não menos importantes:
    - A
iluminação: uma deficiente ou má iluminação
poderá iludir o operador, obrigá-lo a um grande esforço
visual e, até, ser causa de muitos acidentes.
    - O
ruído: desde que ultrapasse os limites admissíveis poderá
causar surdez profissional, isolando o trabalhador do meio ambiente que o rodeia,
impedindo-o de ouvir quer ruídos das maquinas, quer comunicações
importantes que sejam transmitidas.
    - O
posicionamento dos comandos das máquinas: um deficiente posicionamento
dos comandos da máquina em relação ao homem, poderá
obrigar o operador a adoptar uma posição de trabalho incorrecta,
o que lhe causará um cansaço anormal com a consequente diminuição
do rendimento de trabalho, e o aumento da probabilidade de ocorrência de
acidente.
    - A
localização da máquina: as máquinas deverão
estar localizadas de maneira a não colocar o trabalhador em situações
de correntes de ar, ou de poluição.
    - O
pavimento: o pavimento onde as máquinas estão implantadas
deve ser firme, plano, isento de concavidades e estar seco e sem quaisquer matérias
ou materiais que possa originar quedas.
Mais tarde ou mais cedo, e pelo próprio desgaste provocado pela actividade, toda a
máquina necessita de sofrer reparações. Ao realizá-las
é necessário dar especial atenção ao encravar dos
comandos da máquina. Um arranque intempestivo pode provocar um acidente
a quem a está a reparar.
Concluída a reparação das máquinas, e caso tenha
sido necessário retirar-lhe as protecções, estas devem
ser colocadas imediatamente após a reparação. As máquinas
não devem ficar sem os respectivos resguardos, nem que seja por um curto
espaço de tempo.
A lubrificação deve ser feita com a máquina parada; quando
tal não for possível, por particulares exigências técnicas,
a lubrificação deve ser feita com especial atenção,
devendo ser utilizados os meios apropriados que evitem qualquer acidente.
Finalmente refira-se que os operadores devem seguir as instruções
do fabricante e todas as regras de higiene e segurança, para uma correcta
prossecução do seu trabalho.
As máquinas têm uma elevada incidência nos acidentes de trabalho
com baixa, ocorridos nos diferentes sectores de actividades nacionais. Estes
representam aproximadamente uns 14% do total de acidentes, sendo que 17% dos
acidentes graves são mortais..
3) Critérios Básicos de Prevenção
Na aquisição dá máquina, o empresário deve:
    - exigir e comprovar que as máquinas que adquire são "intrinsecamente
seguras" (a sua adaptação às exigências legais
pela marca CE).
    - verificar se traz o Manual de Instruções que, obrigatoriamente,
deve acompanhar a máquina.
    - certificar-se se a máquina pode efectuar sem risco todas e cada
uma das operações usuais ou ocasionais: regulação,
utilização, limpeza, manutenção.
    - redigir e dar a conhecer as normas de trabalho que permitem incrementar
ou optimizar as medidas de segurança que se tenham de tomar nas diferentes
operações.